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POR QUE MEU FILHO NÃO APRENDE?

     
     Durante muito tempo supôs-se que todos os estudantes que apresentavam dificuldades de aprendizagem, tinham algum tipo de dano cerebral. Hoje sabemos que a maioria das crianças e dos jovens não possuem histórico de comprometimento nesta área e, mesmo que tenham, nem sempre é correto acreditar que essa seja a fonte de seus insucessos escolares. 

     Na verdade, são múltiplos os fatores que podem acarretar problemas desta natureza. Entretanto, pesquisas revelam que a família e a escola influenciam significativamente no desenvolvimento integral do ser humano e é por essa razão que destacaremos aqui alguns aspectos fundamentais neste processo.

    Limites e aprendizagem:

     Na convivência com os adultos, as crianças e os adolescentes necessitam encontrar regras claras nos contextos familiar e escolar; contudo, essas precisam ser acompanhadas de um clima afetivo e de muita orientação. O limite autoritário e repressor é inadequado, assim como o limite que humilha e ameaça. Quando o sujeito não recebe limites, ele apresenta dificuldades para entender os papéis, ficando centrado em si mesmo, em suas vontades e unicamente em seu ponto de vista, tornando-se incapaz de compreender o outro e as situações em geral.

     A ausência de limites pode ocasionar sérias complicações de aprendizagem no aluno, pois, para aprender, uma pessoa precisa da compreensão de regras. Um estudante sem limites não quer fazer os exercícios, ouvir o professor, ler, preferindo se ocupar apenas com aquilo que lhe dá prazer imediato e que não lhe exige esforço algum.

     É no ambiente da família e da escola que uma criança constrói seus primeiros vínculos com a aprendizagem e é dessa relação que ela formará o seu estilo de aprender. Portanto, a educação dos adultos é imprescindível para que um dia ela possa escolher determinados caminhos e tomar decisões a partir do seu próprio senso crítico.

    Auto-estima e aprendizagem:

     Quanto mais desejado um bebê, mais aceito ele irá se sentir quando crescer. Uma pessoa que sofre constantes desaprovações na vida tende a acreditar que ela é verdadeiramente desprovida de capacidade.

     O primeiro passo para que os pais e os educadores possam desenvolver a auto-estima de uma criança ou de um adolescente é aceitando que as pessoas são diferentes umas das outras e se manifestam de maneiras igualmente diferenciadas.

     Tentar enquadrar os filhos ou os alunos em um modelo idealizado de expectativas, além de ser um profundo desrespeito ao próximo, é também uma maneira de não acreditar no seu potencial.

     Rotular, ameaçar, negar sentimentos, deixar de colocar limites, são atitudes do adulto que podem estar construindo um sujeito incapaz de conviver bem com a aprendizagem. É importante que exista o elogio sincero e que, diante do erro, o indivíduo seja advertido pela ação inadequada, para que da mesma forma possa lidar com frustrações das quais não será privado.

    As contribuições da família e da escola:

     Não existe um padrão ideal de funcionamento familiar e escolar, porém existem cuidados que podem facilitar o aprendizado dos filhos e alunos. A super-proteção traz em si a idéia de que o outro não é capaz; a indiferença faz o outro acreditar que não é valorizado; a ausência de elogios não estimula o outro a continuar tentando; e o excesso de elogios pode gerar no outro a ansiedade e o medo de não conseguir corresponder aos anseios externos.

 

     
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