Conversando1001

 

 

 

CARTA DE APRESENTAÇÃO
Prezados Pais,
 
O SOEP – Serviço de Orientação Educacional e Psicológica – vem, por meio desta, convidá-los a participar do Projeto “Conversando com os Pais”.
Este projeto apresenta-se através de textos, que serão enviados mensalmente, e tem como objetivo oferecer conhecimentos e reflexões acerca de diversos temas que circundam nossas vidas. A sua participação neste trabalho dar-se-á através da utilização do material enviado, para o estabelecimento de uma saudável e construtiva parceria entre a família e a escola.
A família e a escola devem caminhar em sintonia de valores, pensamentos e objetivos, gerando resultados positivos e satisfatórios no processo educativo. Essa parceria tem início com o ingresso do aluno na escola e só é interrompida com a sua saída. Quanto melhor for esta relação, mais significativas serão as conseqüências na formação de seres humanos felizes, saudáveis, conscientes e maduros intelectual, emocional e socialmente.
Junto ao primeiro texto, cujo título é “Ano Novo, Vida Nova! Por que muitas vezes é difícil cumprir com o que prometemos?”,seguem a carta de apresentação do projeto e uma pasta personalizada para arquivo do material a ser entregue durante todo o ano letivo. O texto está também disponível no site da escola: www.colegioantares.com.br.
 
Aproveitem as leituras e compartilhem idéias para fortalecer nossa parceria!
 
Sede Praia de Iracema: soep.pi@colegioantares.com.br
 
 
Atenciosamente,
SOEP
 
 

Fevereiro 2010
ANO NOVO, VIDA NOVA!
Por que muitas vezes é difícil cumprir com o que prometemos?
 
No início de cada ano é comum nos pegarmos fazendo listas do que será preciso mudar no ano que se inicia. Muita gente promete perder alguns quilos, outros juram de pés juntos que vão parar de fumar e outros se comprometem a trabalhar mais e gastar menos. Haja força de vontade, concentração de energias e pensamentos positivos para cumprirmos com tudo aquilo que sempre estabelecemos como metas a nós mesmos nesse início de ano. Todos esses objetivos podem ser chamados de Síndrome da Segunda-feira (o dia geralmente escolhido para o pontapé inicial das promessas) ou Síndrome do Ano novo, já que é comum querer se renovar depois do Reveillon.
 
É bem provável que a essa altura do ano você já tenha tido alguma dificuldade em cumprir com as primeiras promessas realizadas e nosso objetivo é tentar entender porque muitas vezes é tão difícil cumprir com o que foi estabelecido como compromisso pessoal.
 
Dê uma olhada ao seu redor: as tentações aparecem por toda parte. O supermercado sempre está cheio de novidades e comidas maravilhosas. Distração no meio do expediente é o que não falta: tem o celular, o cafezinho, as novidades que os colegas adoram contar. Hoje é muito fácil atender aos impulsos e satisfazer nossa personalidade imediatista – aquela que quer tudo no presente.
 
Quando estipulamos uma meta e decidimos controlar alguma vontade, é porque acionamos nossa outra personalidade, a planejadora. Pensamos no futuro, calculamos os resultados que nossos atos vão gerar e se concluirmos que é melhor evitar as conseqüências ruins, começamos então uma guerra entre nossos dois lados, o imediatista e o planejador. Sempre fomos acostumados a pensar no presente, desde nossos ancestrais. Naquela época dependíamos do nosso instinto de sobrevivência: se sentíamos fome íamos à caça, se ficávamos com frio saíamos à procura de proteção. Eram tempos de escassez, por isso nossos ancestrais viviam pensando no presente. Mas, o que naquele tempo era escasso, hoje existe em abundância e parece que mesmo assim não aprendemos a lidar direito com essa realidade, usando de forma desenfreada nossos recursos, correndo risco de voltarmos à época de escassez.
 
Mas e então, o que precisamos fazer para evitar o fracasso de nossas promessas? Dado que o inimigo é você mesmo, procure impor alguns limites. Uma boa dose de objetividade, prudência, apoio moral e amigos persistentes podem ajudar para que esses planos se concretizem. Como cada um de nós tem suas características pessoais, é preciso que possamos nos conhecer melhor para que algumas regras possam funcionar. O que queremos dizer com isso é que não existem regras universais, mas sim algumas dicas que podem funcionar de acordo com cada um de nós.
 
Estar sempre perto de amigos mais determinados pode ser uma boa tática, o autocontrole é algo contagioso. Mas, esse mesmo autocontrole deve ser dosado, pois quanto mais usamos, menos sobra. Por isso, é importante aprendermos um pouco sobre ele.
 
Nosso organismo funciona de forma integrada, a parceria entre a mente e o corpo é infalível. Temos em nosso organismo uma substância chamada histamina, que quando liberada em situações de estresse nos ajuda a ficarmos alerta, portanto controlados. De acordo com algumas pesquisas, o nível dessa substância em nosso corpo cai quando passamos por uma tentação. Isso ajuda a explicar por que alguém que segue rigorosamente uma meta às vezes não consegue continuar com o mesmo autocontrole em outras metas, como engordar depois de parar de fumar ou estourar o limite do cartão de crédito depois de ter passado o mês inteiro sem gastar. Isso acontece porque esvaímos a cota pessoal de disciplina. Precisamos dosar nossas metas e objetivos e não podemos ser extremistas. É importante fazer alterações gradativas em nossa rotina para que assim possamos nos acostumar com as mudanças que queremos que aconteçam em nossas vidas. Ou seja, é fundamental manter o foco no nosso objetivo, ter disciplina, mas não se tornar escravo do autocontrole. Ter bom senso e conseguir liberar alguns “agradinhos” de vez em quando, é também saudável tanto fisicamente como psicologicamente.
 
 
BIBLIOGRAFIA:
Texto adaptado pelo SOEP
 

Março 2010

 

A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA NO DESENVOLVIMENTO DAS CRIANÇAS E JOVENS


Quantas vezes já ouvimos falar sobre a grande importância da família em nossas vidas? Quantos estudiosos do comportamento humano já relataram que a família é um elemento imprescindível para o desenvolvimento saudável de crianças e jovens? E quantas vezes já refletimos sobre o papel preponderante que nossas famílias desempenham em nossas vidas? Realmente, a observação do cotidiano comprova a veracidade de todas as teorias, sejam de que épocas forem.

O fato, porém, é que o homem contemporâneo está sendo diretamente afetado por transformações sócio-históricas que estão contribuindo para a falta de controle da educação dos filhos, tornando o ato de educar cada vez mais um desafio. A saída da mulher de casa para o mercado laboral, as novas configurações familiares, um mercado de trabalho seletivo que exige do profissional dedicação exclusiva e uma sociedade consumista são algumas dessas razões. Em muitos casos, pais e mães assumem muitas funções pessoais, abraçam grandes desafios profissionais e, ao final de todo um dia exaustivo de trabalho, têm de dar atenção para seu(s) filho(s), de modo que, por vezes, acabam não dando conta de tantos afazeres. Daí, então, inicia-se o conflito de prioridades e, o resultado é que os pais têm tido pouco tempo perto de seus filhos.

Por outro lado, desse problema nasce uma nova configuração familiar que é a aproximação das crianças com os seus avós, tios e demais parentes, o que amplia o conceito mais restrito de família, formado unicamente por pai, mãe e filho(s). Essa aproximação dos parentes, todavia, complementa, mas não transfere responsabilidades que são exclusivas dos pais. Afinal, estamos nos referindo a todas aquelas famílias que cuidam, que se responsabilizam pelo papel de provedores, geradores de ética e estabelecem a base moral de seus filhos, bem como a transmissão dos valores, dos limites.

Vivemos num país tropical, com povo de origem predominantemente latina, indígena e africana em que as relações são mais próximas, com pequeno nível de hierarquização e cujas condutas morais são muito flexíveis, influenciadas pelos meios de comunicação de massa. As leis são rigorosas, mas nem sempre cumpridas a contento e os casos de corrupção e violência tornam-se cada vez mais banais. Dentro de uma sociedade tão permissiva, valores como honestidade e respeito ao próximo precisam ser estimulados constantemente pela família, sob pena de não serem introjetados adequadamente pelos filhos, produzindo cidadãos sem qualquer traço de civilidade. Diante desse contexto, é necessário que os pais percebam a dimensão do papel que lhes cabe.

 Muitos pais, no entanto, começam a não dar conta de todas as exigências, não sabendo mais em qual ocasião devem impor limites ou sair deles, sem ter certeza sobre o exato momento de se valer do pátrio poder, a fim de conceder liberdades, proibições, aconselhamento, etc. Com medo do radicalismo, acabam sendo permissivos ou omissos.

Contudo, sem a presença constante dos pais na vida dos filhos, estes não sabem o que é proibido e o que é permitido, gerando, a partir daí, um sentimento de insegurança de ambos os lados, e, às vezes, até de abandono, quando a omissão impera na família. Além disso, a ausência parental pode gerar carências que vão além do âmbito escolar, uma vez que a base formadora deve vir da família e não somente da escola.

Sabendo disso, é importante que a família possa funcionar beneficamente em vários aspectos, estando presente, com qualidade, em diversos momentos na vida dos menores. Presença tal que deveria implicar em envolvimento, comprometimento e colaboração. Os pais precisam estar atentos ao crescimento de seus filhos como um todo, seja ele cognitivo, perceptivo, motor, comportamental e sócio-emocional. É importante ressaltar o papel preponderante da escola no processo de desenvolvimento dessas crianças e jovens, devendo, pois, ser encarada, sempre, como uma parceira da família, caminhando em sintonia no que diz respeito à educação.

Oferecer limites, ensinar os valores necessários, poder dizer não sem medo de prejudicar ou de estar sendo diferente da sociedade liberal, falar sobre sexualidade e assuntos afins, e exigir que seus filhos estudem e que sejam comprometidos com as responsabilidades escolares são responsabilidades exclusiva dos pais. Tudo isso só irá trazer benefícios aos filhos, além de gerar conforto, acolhimento e a consciência de que estão sendo cuidados, amados e educados para a cidadania e a produtividade.


Fonte Bibliográfica:

 

ZAGURY, T.: Os direitos dos pais: construindo cidadãos em tempos de crise. Rio de Janeiro, Ed. Record, 2004.

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COMO VAI VOCÊ?
A autoestima e seus reflexos no nosso cotidiano

Atualmente, nos preocupamos muito com o crescimento intelectual e cognitivo das crianças e dos jovens, esquecendo, na maioria das vezes, que tão importante quanto as ideias é o equilíbrio emocional e o desenvolvimento de atitudes positivas diante de si mesmo e dos outros.

A autoestima é a habilidade que a pessoa tem de pensar a seu próprio respeito, bem como os sentimentos que essas opiniões deflagram e seus reflexos nos relacionamentos afetivos, sociais e profissionais. Assim, pode-se dizer que se trata não só do olhar que lançamos sobre nós mesmos, mas das implicações desse juízo sobre a vida cotidiana.

Psicólogos e psiquiatras do mundo inteiro constataram que pessoas com elevada autoestima podem ter mais facilidade para fazer boas escolhas. Além disso, se abatem menos com eventuais fracassos ou julgamentos alheios. Por outro lado, uma pessoa com baixa autoestima se sente desvalorizada, tem menos iniciativa e mais dificuldade ao encarar desafios, por não acreditar que possa fazer algo bom ou útil, podendo ter como consequência graves problemas emocionais. Entretanto, vale ressaltar que para isso acontecer é preciso que outros fatores estejam associados ao fato, como: hereditariedade, genética, história de vida etc.

A construção da autoestima começa desde criança, quando nos damos conta da nossa existência no mundo, assim, torna-se essencial o papel dos pais junto aos seus filhos, no que diz respeito ao desenvolvimento psicoemocional.

Para uma construção positiva dessa imagem, os pais devem primeiramente certificar-se de que o seu filho se sente amado. Esse seria o primeiro passo dentre outros, vez que a autoestima é construída no dia-a-dia de cada indivíduo, como resultado de atitudes merecedoras de reconhecimento.

Esse caminho parece ser um pouco difícil, mas existem algumas atitudes que os pais podem tomar em relação aos filhos, diariamente, ajudando-os nesse processo:

•    Encontre maneiras diferentes de demonstrar ao seu filho que o ama: beijos, carinhos, mensagens, bilhetes, cuidado, atenção, paciência, são algumas formas de expressar esse amor. Descubra a maneira que mais parece com você e mãos à obra!

•    Crie oportunidades de passeios com seu filho, nos quais ele possa escolher as atividades que serão realizadas e aproveitem o dia da melhor forma.

•    Estabeleça limites e regras claras, mas não seja autoritário. Exponha seus argumentos, discuta as regras, propondo acordos.

•    Permita que seu filho expresse sua individualidade sem ser alvo de julgamento. Tenha paciência na hora de escutá-lo e não tente antecipar o final da história. Faça-o perceber que está sendo ouvido com respeito, assim quando estiver precisando conversar novamente irá lhe procurar.

•    Estimule-o a vencer os desafios e obstáculos que surgirem. Mostre que você acredita nele e estimule para que ele tente dar o melhor de si, mesmo se o resultado não for o almejado; não faça de conta que isso não tem importância, mas ensine-o a lidar com o fracasso como uma forma de aprendizado.

•    Não dirija críticas ao seu filho, mas sim ao comportamento dele. Evite fazer comentários do tipo: “Deixe de ser preguiçoso”, “Que menino desastrado”, “você sempre faz tudo errado”, etc. A repetição fortalece uma imagem negativa de si mesmo, podendo perdurar para a vida toda.

•    E não esqueça de cuidar de si próprio e do seu emocional, afinal você é o grande referencial do seu filho.

Assim, alguns psicólogos acreditam que a boa autoestima é como um motor que cumpre sua função de maneira silenciosa: facilita os vínculos com o mundo externo, possibilitando um bem-estar psicoemocional.

Texto adaptado pelo SOEP da Revista Mente e Cérebro ed.205 – Fevereiro 2010

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JULHO/2010

           EU, O OUTRO E O MUNDO: A IMPORTÂNCIA DE RESGATAR OS VALORES HUMANOS.
 

           Sabe-se que a sociedade atual é produtora e mantenedora de valores e ações humanas (ou desumanas, para melhor dizer) que têm muitas vezes como premissas básicas o individualismo, o egocentrismo, a falta de cuidado e respeito pelo outro. Não precisamos ir longe para percebermos o quanto as pessoas estão carregadas de “vícios” de caráter ou mesmo de desvios de caráter. A banalização da violência, da sexualidade, do desrespeito aos mais velhos e aos pequenos, são exemplos de posturas de um grupo social onde o que, geralmente, vale é somente o “eu”, o “tirar proveito”, mesmo que disso derive o sofrimento do outro.

            “Eduquemos as crianças, e não será necessário castigar os homens”, já dizia Pitágoras.
 

             A educação para os valores é uma forma de resgatar o respeito, a alteridade, o cuidado, a gentileza. É despertar nas crianças e adolescentes os valores humanos hoje muitas vezes perdidos por nós, adultos. Por estarem em pleno desenvolvimento, eles precisam de referenciais para guiar suas ações. Precisam sim de ensinamentos, de orientação, de estímulo para a construção de uma personalidade sadia, segura e humana.

             É fundamental, então, que todos sejam apresentados aos valores antes cultivados e hoje muitas vezes esquecidos. Dizer ”por favor,”, “obrigado”, “com licença” são simples atitudes aprendidas e ensinadas, que demonstram o início de uma possível relação saudável. Pedir “desculpas” é reconhecer que errou e perceber que o seu erro causou algum sofrimento. É sair de um estado egocêntrico e olhar o outro e as conseqüências que ele sofreu com esse ato.

             Entretanto, estas expressões tornam-se vazias se não for dado a elas um sentido. Não adianta apenas verbalizar a expressão. É necessário que a criança e o adolescente compreendam a importância e o significado do seu uso como ação que gera outra ação, que tem uma repercussão no outro e nas suas relações com ele e com o mundo. É preciso que eles entendam o verdadeiro significado da verdade, do respeito, da justiça.

             Essa compreensão só é possível quando tais valores são vivenciados em seu meio. É difícil cobrar que eles falem baixo, respeitem os mais velhos, compartilhem o que é deles, sejam cuidadosos com a natureza, cedam seus lugares aos mais velhos em locais públicos, respeitem a preferência dada aos idosos, gestantes e mães com crianças de colo em filas, ajudem pessoas com dificuldade de locomoção a atravessarem ruas ou entrarem em determinados locais, cumprimentem vizinhos no elevador, se não têm essa vivência concreta e real, se não percebem em seu meio a realização de tais atitudes, ou se são, por outro lado, estimulados a agir de forma contrária.

             Os adultos, especialmente aqueles com quem a criança e o adolescente convivem, são os maiores modelos e exemplos de valores, condutas e princípios. E a maior aprendizagem é aquela realizada através da experiência e do contato.

               Portanto, os pequenos precisam de pais, educadores, amigos e heróis que tenham atitudes corretas, dignas, cuidadosas e solidárias, para que elas tenham pelo menos a oportunidade de tornarem-se grandes homens e mulheres.

               E assim, quem sabe um dia, as palavras do poeta Thiago de Mello, em sua obra “Estatutos do Homem”, ganharão vida:

(...) Artigo IV
 
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
 como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único:
O homem confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Bibliografia:
MARTINELLI, Marilu. Conversando Sobre Educação em valores Humanos. 2ª
Ed. São Paulo: Petrópolis, 1999.
MELLO, Thiago de. Estatutos do Homem. Ed. Martins Fontes. São Paulo: SP, 1977.

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 Maio 2010

 Você sabe o que é Bullying?
É preciso estar atento ao primeiro sinal.

    
A rotina escolar, tão dinâmica e por vezes até imprevisível, nos confronta com vários desafios, e, dentre estes, está posto mais um: o Bullying. Este termo, que não possui tradução exata para o português, se refere a agressões físicas ou psicológicas adotadas por alguns estudantes contra outros que ocorrem de forma repetida e intencional, e que humilham, ridicularizam e intimidam suas vítimas.
Este tipo de violência, por muito tempo foi mascarada na forma de “brincadeira” e até considerada normal entre pais e alunos. Quem nunca “zoou” ou foi “zoado” por alguém na escola? Quem nunca viveu e/ou presenciou situações de fofocas, risadinhas, apelidos maldosos, exclusões? O que não sabíamos é que estes comportamentos poderiam marcar de forma negativa a vida de alguns alunos, ocasionando sérias consequências ao desenvolvimento psíquico destes.  
O fenômeno Bullying produz, em larga escala, cidadãos estressados, deprimidos e com baixa auto-estima. Compromete também a capacidade de auto-aceitação e a resistência à frustração, reduzindo a capacidade de auto-afirmação e de auto-expressão. Além disso, pode propiciar o desenvolvimento de sintomatologias de estresse, de doenças psicossomáticas e de transtornos mentais, interferindo de forma drástica no processo de aprendizagem, rendimento escolar e socialização.
Os alunos podem desempenhar vários papéis nesta prática. Os alvos ou vítimas são aqueles alunos que apenas sofrem Bullying; os alvos/autores são aqueles que ora praticam, ora sofrem Bullying; os autores são aqueles que só praticam; e as testemunhas não sofrem nem praticam Bullying, mas convivem em um ambiente onde isto ocorre.       
As consequências, no entanto, não se restringem apenas às vítimas. Os autores desta prática, futuramente, podem adotar comportamentos de risco, atitudes criminosas ou acabar tornando-se adultos violentos. Este fenômeno estimula a delinquência e induz a outras formas de violência explícita.  
A partir de casos mais graves, tal assunto passou a ganhar espaço em estudos e pesquisas desenvolvidas por pedagogos e psicólogos que atuam na área da Educação. Atualmente, é um assunto constantemente veiculado na imprensa, o que auxilia no combate a esta prática. E quanto à família, como esta pode ajudar?    
Os pais devem estar atentos ao problema, seja o filho vítima ou agressor, pois ambos precisam de ajuda e apoio psicológico. Especialistas no assunto acreditam que os pais devem procurar não culpar seus filhos pelo que está ocorrendo nem incentivá-los a revidar aos ataques, além de ressaltar sempre suas qualidades e capacidades, buscando elevar sua auto-estima e reduzir o impacto das referidas “brincadeiras”.  
    É importante mostrar-se sempre aberto a ouvir e conversar com os filhos, pois é fundamental que as crianças e jovens se sintam confiantes e seguros que ao trazer este tipo de denúncia ao ambiente doméstico não serão criticados, julgados ou pressionados. Deve-se ficar atento às mudanças bruscas de comportamento ou aparecimento de desculpas frequentes para não ir à escola. É fundamental orientar sobre o Bullying e ensinar aos filhos a identificar os casos, incentivando sempre a busca por ajuda neste tipo de situação.
Além destes cuidados, é oportuno que os pais façam uma reflexão profunda sobre as suas próprias condutas em relação aos filhos e sobre o modelo de educação familiar que vem sendo aplicado. Nem sempre os pais se dão conta de que certos comportamentos que o filho manifesta são aprendidos em casa, como resultado da percepção que ele tem do tipo de interação entre os familiares.
É válido ressaltar que tais cuidados devem ser tomados pelos pais nas mais diversas fases da vida do filho, pois o Bullying vem atingindo faixas etárias cada vez mais baixas, como crianças dos primeiros anos da escolarização. Dados recentes mostram sua disseminação por todas as classes sociais e apontam uma tendência para o aumento rápido desse comportamento com o avanço da idade dos alunos.     
Quando a criança não consegue solucionar por si mesma os problemas enfrentados, é necessário que a família procure a escola, a fim de que em parceria, a dificuldade seja sanada. Os pais, no entanto, jamais devem querer resolver a situação diretamente conversando com os envolvidos. Esta é uma ação para a escola. A aliança entre família e escola nestas situações é fundamental para que se crie um ambiente escolar harmônico e propício ao desenvolvimento de relacionamentos e aprendizagens saudáveis.

Texto adapatado – Fonte bibliográfica:
FANTE, Cleo. Fenômeno bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz. Campinas, Verus, 2005.
Bullying: é preciso levar a sério ao primeiro sinal. Revista Nova Escola. Abril/2008.